Prada Inverno 2026/27: tudo sobre o desfile icônico com apenas 15 modelos
Na última quinta-feira, 27/02, a Milan Fashion Week foi palco de um dos momentos mais comentados da temporada: o desfile Prada Inverno 2026/27 feminino. Com apenas 15 modelos, entre elas Bella Hadid, apresentando 60 looks por meio de sobreposições sucessivas, a coleção transformou a passarela em um estudo sobre construção de imagem, funcionalidade e permanência: três pilares que ajudam a entender o DNA da maison italiana.
Para compreender por que esse formato gerou tanto debate, é preciso voltar à essência da Prada.
O DNA da Prada: intelectual, italiana e estrategicamente provocadora
Fundada em 1913 por Mario Prada, em Milão, a marca começou como uma casa especializada em artigos de couro refinados. O grande ponto de inflexão veio no fim dos anos 1970, quando Miuccia Prada assumiu a direção criativa. Foi ela quem introduziu o náilon industrial no luxo nos anos 1980, um gesto que redefiniu a noção de sofisticação e consolidou a reputação da Prada como uma grife que questiona padrões estabelecidos.
Ao longo das décadas, a marca construiu uma estética baseada na tensão: entre o clássico e o estranho, o feminino e o utilitário, o elegante e o aparentemente imperfeito. A crítica internacional chamou essa abordagem de ugly chic: uma beleza que não busca agradar de imediato, mas provocar reflexão.
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Desde 2020, Miuccia divide a criação com Raf Simons (ex-Dior e Jil Sander), cuja trajetória sempre explorou juventude, uniformes e comportamento. A colaboração aprofundou o estilo analítico da casa, tornando cada coleção quase um comentário sobre o momento cultural.

Prada Inverno 2026/27: menos espetáculo, mais construção
O desfile de inverno 2026 foi apresentado na Fondazione Prada, espaço que mistura arte, arquitetura e moda. Um cenário coerente com a proposta da coleção.
O dado central, 15 top models, 60 looks, revela uma escolha estrutural. As modelos retornavam à passarela com novas camadas, alterando silhuetas e proporções. Parkas amplas sobre vestidos delicados. Tricôs densos que, ao serem retirados, revelavam tecidos mais leves. Meias propositalmente desalinhadas, superfícies com aspecto gasto, camisas levemente amassadas.
Essa dinâmica não foi apenas um recurso estético. Funcionou como metáfora visual: a identidade feminina é construída por camadas: sociais, profissionais, emocionais. A roupa acompanha essas transições.

O contexto atual e a tensão criativa no Desfile da Prada Inverno 2026/27
Em entrevistas recentes, Miuccia Prada tem sido franca ao abordar a pressão do mercado por crescimento constante. Em um sistema que valoriza expansão contínua, a coleção parece responder com edição e controle. Reduzir o casting e multiplicar os looks por transformação é uma decisão conceitual e estratégica.

Na primeira fila, a presença de Mark Zuckerberg chamou a atenção e provocou buzz nas redes sociais. Em um momento de aproximação entre moda e tecnologia, a imagem do CEO da Meta assistindo a uma coleção que questiona excesso e ubiquidade ganhou contornos simbólicos.

Silhueta e códigos reconhecíveis da Prada
Falar sobre a silhueta e os códigos reconhecíveis da Prada no Inverno 2026/27 é entender como a marca mantém seu vocabulário estético enquanto desloca expectativas a cada temporada. Para quem observa com atenção, os sinais estão claros: estruturas precisas, quase arquitetônicas, aparecem lado a lado com elementos de aparência levemente desgastada, criando um contraste calculado entre rigor e imperfeição.
Há também um diálogo constante entre proteção e vulnerabilidade. Casacos amplos, parkas utilitárias e peças em lã encorpada funcionam como camadas de defesa, enquanto vestidos leves e tecidos delicados introduzem uma sensação de exposição sutil. Essa tensão, presente no DNA da casa milanesa desde os anos 1990, volta atualizada, refletindo um guarda-roupa que precisa ser funcional sem perder delicadeza.

As proporções desafiam o olhar tradicional, com cinturas deslocadas, mangas alongadas, ombros marcados ou comprimentos estratégicos. Nada parece aleatório. Cada ajuste altera a leitura da silhueta e reforça a ideia de que vestir, para a criadora de it-bags como Galleria e Cleo, é também um exercício intelectual.
A sensualidade surge de maneira contida, nunca óbvia. Está em um recorte inesperado, em uma transparência discreta, na maneira como as peças se movem. A marca não depende de excessos nem de efeitos fáceis. O impacto está na construção e na intenção, ambos, aliás, mantêm a relevância da Prada no cenário da moda internacional.

Por que o desfile da Prada ainda está dando o que falar?
Porque não foi apenas uma apresentação de tendências para o inverno 2026. Foi uma amostra sobre o momento da moda. Em vez de competir por volume visual, a marca investiu em repetição calculada e transformação progressiva.
O desfile Prada Inverno 2026/27 na Milan Fashion Week reforça a posição da maison como uma das poucas capazes de equilibrar tradição italiana, pensamento crítico e relevância comercial. Entender sua história, do couro refinado ao nylon revolucionário, da ironia estética à análise cultural , ajuda a decodificar a coleção.
No fim, a pergunta que permanece não é sobre qual casaco será o mais desejado da estação. É sobre qual narrativa a moda decide sustentar daqui em diante: expansão ilimitada ou construção consciente
E, mais uma vez, a Prada optou por provocar a discussão.
Mas e aí, gostaram?
Assista ao Desfile Prada Inverno 2026/27 Completo:













