As Bolsas Hermès Pouco Comentadas: Os Modelos que Revelam o Caminho até a Birkin
Falar de Hermès apenas por meio da Birkin ou Kelly é reduzir uma maison centenária a dois símbolos de desejo. Para quem observa o mercado com mais profundidade e não apenas pelo viés do hype, existe uma camada mais interessante: a das bolsas hermès pouco comentadas que constroem relação com a marca antes mesmo de qualquer lista de espera entrar em cena.
São modelos “menos famosos” que não dependem de status imediato para justificar sua relevância. Pelo contrário. Carregam história, função e códigos muito mais próximos do DNA original da Hermès e, justamente por isso, fazem sentido como porta de entrada.
Além disso, existe mais um aspecto pouco falado, mas bem conhecido por clientes recorrentes: o relacionamento com a maison. Antes de conquistar uma Birkin ou Kelly diretamente na boutique, é comum que a jornada passe por outras aquisições, criando um histórico de consumo e afinidade com o universo Hermès. E é justamente nesse percurso que entram bolsas menos óbvias, mas extremamente bem resolvidas em design, funcionalidade e herança.
A seguir, alguns desses modelos que, longe de serem “alternativas”, revelam a essência mais autêntica da Hermès:
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As Bolsas Hermès para ter antes da Birkin ou Kelly
A primeira bolsa da Hermès raramente é uma Birkin ou Kelly. E isso não é por acaso. Existe uma lógica não escrita, quase um ritual, que passa por modelos mais discretos, mas profundamente conectados à história da casa. São essas peças que, aos poucos, constroem familiaridade com a marca e abrem caminho para os ícones mais disputados.
Picotin
A Picotin é provavelmente uma das bolsas mais fiéis à origem equestre da Hermès. Seu nome vem de uma antiga medida francesa usada para ração de cavalos, e o desenho do modelo reproduz justamente os recipientes utilizados nos estábulos.
O que parece minimalismo estético, na verdade, nasce de função.
Diferente da Birkin ou da Kelly, a Picotin não possui estrutura rígida, divisórias internas ou fechamento tradicional. A proposta sempre foi criar uma bolsa extremamente maleável, leve e fácil de usar no cotidiano.
Hoje, os tamanhos mais encontrados são:
- Picotin 18 (também chamada de TPM)
- Picotin 22
- Picotin 26, mais rara atualmente no mercado
A Picotin 18 acabou se tornando a mais disputada nos últimos anos por acompanhar a tendência de bolsas compactas, enquanto a 22 costuma agradar quem procura uma bolsa funcional para uso diário.
Entre os couros mais comuns estão:
- Clemence: granulado, macio e mais “slouchy”
- Taurillon Maurice: levemente mais estruturado
- Negonda: mais resistente e encorpado
As cores neutras seguem dominando a procura, especialmente Gold, Étoupe, Noir e Craie — tons clássicos do repertório Hermès.
Um detalhe importante: embora o cadeado tenha se tornado assinatura visual da linha Picotin Lock, ele funciona mais como elemento decorativo do que como mecanismo real de segurança. O modelo permanece parcialmente aberto mesmo fechado.

Evelyne
Criada em 1978 por Evelyne Bertrand, ex-chefe do departamento equestre da Hermès, a Evelyne talvez seja a bolsa mais utilitária já produzida pela maison.
Ela nasceu para carregar escovas e acessórios de cuidado com cavalos. E isso explica um dos fatos mais curiosos do modelo: o famoso “H” perfurado não foi pensado como logo.
As perfurações existiam para ventilação.
Originalmente, a recomendação era usar o “H” voltado para o corpo — e não exposto para fora como acontece hoje. A mudança aconteceu naturalmente com o uso urbano da bolsa ao longo dos anos.
Outro detalhe pouco comentado está na alça larga de canvas, que antecede em décadas a febre das straps esportivas no mercado de luxo.
Os tamanhos mais populares atualmente incluem:
- Evelyne TPM (mini)
- Evelyne PM
- Evelyne GM
A TPM ganhou enorme força recentemente por funcionar bem no uso crossbody e acompanhar a demanda por bolsas compactas.

Entre os couros mais utilizados aparecem:
- Clemence
- Taurillon Clemence
- Negonda
Já as combinações de cores frequentemente unem tons neutros da Hermès com ferragens palladium ou douradas discretas.
Mesmo sendo considerada uma das bolsas mais “casuais” da marca, a Evelyne exige um trabalho artesanal complexo por causa das perfurações simétricas no couro.
Lindy
Lançada oficialmente em 2007 após ser apresentada por Jean-Paul Gaultier, a Lindy representa uma das interpretações mais contemporâneas da Hermès.
Seu desenho rompe completamente com a lógica tradicional das bolsas estruturadas da maison.
As alças são posicionadas nas laterais, e não no topo, criando uma construção mais fluida e ergonômica. O resultado é uma bolsa que se adapta ao corpo e ganha movimento quando usada.
É justamente essa característica que divide opiniões: enquanto algumas pessoas estranham a silhueta mais relaxada, outras enxergam na Lindy uma das bolsas mais inteligentes da Hermès.
Os tamanhos mais conhecidos são:
- Mini Lindy 20
- Lindy 26
- Lindy 30
- Lindy 34
- Lindy 45
Hoje, a Mini Lindy é uma das versões mais valorizadas no mercado secundário, especialmente em cores neutras e couros clássicos.

Entre os materiais mais frequentes:
- Swift: couro mais liso e sofisticado visualmente
- Clemence: mais maleável
- Evercolor
- Taurillon Clemence
A Lindy também costuma aparecer em versões especiais da Hermès, incluindo acabamentos trançados e combinações bicolores.
Garden Party
Lançada em 1964, a Garden Party é uma das bolsas mais antigas ainda em produção contínua na Hermès.
Seu desenho segue praticamente inalterado há décadas — o que diz muito sobre a proposta da bolsa.
Ela foi criada como uma tote funcional ligada ao lifestyle de campo e atividades ao ar livre. Por isso, combina praticidade extrema com acabamento sofisticado.
As versões mais tradicionais unem lona resistente com acabamento em couro, embora existam modelos totalmente em couro que possuem aparência mais estruturada.
Entre os materiais mais usados estão:
- Toile canvas
- Negonda
- Clemence
- Togo
- Evercolor
Os tamanhos mais conhecidos incluem:
- Garden Party 23
- Garden Party 30
- Garden Party 36
- Garden Party 49/Voyage

A Garden Party 36 se tornou especialmente popular como bolsa de trabalho por acomodar laptop e itens do cotidiano com facilidade.
Outro detalhe pouco falado é que versões em canvas costumam ter interior também em lona, enquanto modelos full leather podem incluir bolso interno com zíper dependendo da edição.
Jypsière
Lançada em 2008 pelo então diretor criativo Jean-Paul Gaultier, a Jypsière é, na prática, uma releitura mais casual da icônica Birkin. O que muda é o ponto de vista: aqui, a bolsa deixa de ser carregada na mão e passa a ser usada a tiracolo, com uma proposta muito mais funcional para o cotidiano.
Seu design mantém elementos clássicos da casa — como as tiras com fecho e o acabamento impecável em couro —, mas incorpora uma construção maleável, pensada para acompanhar o corpo em movimento. É uma peça que conversa diretamente com um público que valoriza o artesanato Hermès, mas não necessariamente busca a formalidade dos modelos mais tradicionais.
Outro ponto interessante é a variedade de couros utilizados, como o Clemence (mais macio e granulado) e o Swift (liso e com leve brilho), que influenciam diretamente na forma como a bolsa se comporta ao longo do tempo. Ou seja, além de estética, existe uma escolha técnica por trás de cada versão.
Herbag
À primeira vista, a Herbag pode ser confundida com uma Kelly e não por acaso. Seu design replica a estrutura do modelo icônico, com aba superior em couro, alça única e fechamento clássico. A diferença está na composição: aqui, o corpo da bolsa é feito em canvas, enquanto o topo permanece em couro.
Esse contraste não é apenas estético, mas também estratégico. A Herbag oferece uma experiência visual e funcional muito próxima da Kelly, porém em uma proposta mais leve, versátil e, sobretudo, mais acessível dentro do universo Hermès.
Outro detalhe pouco comentado é sua construção modular: algumas versões permitem a troca do corpo em canvas, mantendo a mesma aba de couro, o que amplia as possibilidades de uso sem a necessidade de adquirir uma nova bolsa completa.
Historicamente, a Herbag surgiu como uma alternativa prática para o dia a dia, reforçando a habilidade da maison em transitar entre o artesanal e o utilitário. Hoje, ela ocupa um lugar interessante no portfólio: não é apenas uma “opção de entrada”, mas uma escolha consciente para quem valoriza leveza e funcionalidade sem abrir mão dos códigos da marca.

Essas bolsas são realmente uma “porta de entrada” para a Hermès?
Embora o termo seja amplamente utilizado no mercado e entre consumidores, é importante fazer um ajuste de precisão: a Hermès não classifica oficialmente nenhum de seus produtos como “porta de entrada”.
Na prática, no entanto, modelos pouco comentados da Hermés por quem ainda não adentrou ao mundo da maison, como Picotin, Evelyne, Lindy, Garden Party ou Jypsière costumam ter maior disponibilidade em comparação a Birkin e Kelly, que são produzidas em quantidades mais restritas e distribuídas de forma seletiva.
Isso faz com que essas bolsas sejam, frequentemente, as primeiras aquisições de clientes da marca, não por estratégia declarada, mas por dinâmica natural de oferta e demanda.

Um olhar mais completo sobre a Hermès
Observar apenas os modelos mais icônicos é perder de vista o que sustenta a relevância da Hermès ao longo de quase dois séculos.
Picotin, Evelyne, Lindy e Garden Party ajudam a construir uma leitura mais precisa da maison: uma marca que nasceu da função, que evoluiu sem abandonar sua origem e que continua a valorizar o gesto artesanal acima de tendências passageiras.
Para quem busca entender, e não apenas consumir, o universo Hermès, são essas peças que oferecem o ponto de partida mais consistente.
Qual dessas bolsas Hermès menos comentadas você teria primeiro?



















