Valentino Alta-Costura S/S 2026: Michele Revisita o Legado da Maison
O Desfile Alta-Costura Valentino S/S 2026 aconteceu na última quarta, 28/01, sob um silêncio incomum. Poucos dias antes da apresentação, o mundo da moda se despedia de Valentino Garavani, fundador da maison e uma das figuras mais influentes do século XX. A coleção, já em desenvolvimento havia meses, ganhou um novo significado: não se tratava apenas de mais um capítulo da alta-costura parisiense, mas de um momento de passagem histórica para a casa romana.
A expectativa não girava em torno de tendências ou apostas visuais. A pergunta era outra, e muito mais complexa: como seguir adiante quando o nome que sustenta a marca deixa de existir fisicamente, mas permanece como mito? Alessandro Michele responde.
Valentino: uma maison construída para ser vista e lembrada
Fundada em 1960, em Roma, a Valentino nasceu com vocação para o espetáculo. Desde o início, Valentino Garavani compreendeu o vestido como imagem, gesto e memória. Sua moda sempre esteve profundamente ligada ao cinema, ao tapete vermelho e à ideia de beleza absoluta, construída por meio de cortes impecáveis, volumes controlados e um domínio técnico que rapidamente colocou a maison entre as mais respeitadas do mundo.
O célebre vermelho Valentino, apresentado ainda no final dos anos 1950, tornou-se um dos códigos cromáticos mais reconhecíveis da história da moda. A tonalidade distintiva sintetiza a proposta da casa italiana: emoção sem excesso, glamour sem ruído, impacto sem pressa.
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Mesmo após sua aposentadoria em 2008, Valentino Garavani, considerado o ‘Rei do Chic” e “Último Imperador da Moda”, seguiu como presença simbólica constante. Seu legado nunca foi um arquivo estático, mas uma referência viva, constantemente revisitada pela alta-costura da maison.

Alessandro Michele no comando criativo
À frente da Valentino desde 2024, Alessandro Michele (ex-Gucci) já não ocupa o lugar do recém-chegado. Seu método é conhecido: estudar profundamente a história antes de intervir. No caso da alta-costura, essa postura se torna ainda mais evidente. Michele entende que esse território não admite respostas imediatas: exige tempo, densidade e escuta.
O Desfile Alta-Costura Valentino S/S 2026 não foi concebido como uma homenagem direta à morte do fundador. A alta-costura não funciona assim. No entanto, a apresentação absorve o momento histórico de maneira silenciosa e estrutural, transformando memória em narrativa.

Valentino Alta-Costura S/S 2026: O olhar como construção de sentido
A cenografia escolhida rompe com o formato clássico de desfile. O público observa a coleção a partir de espaços circulares, com o campo de visão deliberadamente limitado. O mesmo vestido aparece repetidas vezes, atravessando diferentes pontos de observação. À primeira vista, parece idêntico; à segunda, revela mudanças sutis de gesto, ritmo e presença.
Esse jogo de repetição e diferença dialoga diretamente com a história da Valentino. Sempre foi uma maison que apostou no detalhe quase invisível, no acabamento que só se revela ao olhar atento. Michele transforma essa lógica em conceito: não é o excesso que importa, mas a capacidade de perceber.

Visualmente, a coleção reafirma os pilares da alta-costura Valentino. Vestidos de construção precisa, bordados manuais complexos, transparências delicadas, fendas e decotes controlados convivem com elementos mais rígidos, como rufos, golas estruturadas e luvas, criando uma tensão constante entre sensualidade e austeridade.
As cores oscilam entre tons intensos e nuances mais contidas, sempre sustentadas por tecidos tratados com preciosismo extremo. Nada parece gratuito. Cada escolha reforça a ideia de que a alta-costura, aqui, não é sobre impacto imediato, mas sobre permanência.

O vermelho, o cinema e a presença ausente
O desfile se abre com um vestido vermelho, precedido pela voz de Valentino Garavani falando sobre a importância do cinema em sua formação estética. A escolha é precisa. O cinema sempre foi um dos eixos centrais da maison, não apenas como referência visual, mas como estrutura narrativa.
Ao trazer essa voz para a apresentação, Alessandro Michele não tenta substituir o fundador nem encerrá-lo em nostalgia. Ele reconhece sua presença como algo que continua operando na maison, mesmo na ausência física.

Um desfile que marca a história da Valentino
O Desfile Alta-Costura Valentino S/S 2026 se impõe como um dos momentos mais significativos da moda recente justamente por evitar o óbvio. Não há tributo literal, nem gestos dramáticos fáceis. O peso da morte de Valentino Garavani está ali, diluído na estrutura, na repetição, no silêncio e no rigor.
Ao apresentar essa coleção, Alessandro Michele organiza uma transição. A Valentino segue adiante não apesar de sua história, mas através dela. E, na alta-costura, essa continuidade ganha a forma mais rara e necessária: aquela que se constrói no tempo longo.
Assista ao Desfile Valentino Alta-Costura Spring/Summer 2026 completo:
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