Valentino Inverno 2026/27: Tudo sobre o Desfile em Roma
Roma sempre soube encenar drama. Entre palácios barrocos, igrejas monumentais e ruas que parecem feitas para ecoar passos históricos, a cidade entende melhor que ninguém o peso do tempo e da beleza. Foi nesse cenário que a Valentino apresentou sua coleção Inverno 2026/27, ontem, em um desfile que parecia carregar algo mais profundo do que apenas roupas. Havia ali uma sensação de homenagem.
A maison trocou Paris e voltou para casa.
Poucos meses após a morte de Valentino Garavani, fundador da marca e uma das figuras mais reverenciadas da moda do século XX, a escolha de desfilar em Roma parecia inevitável. Muito além de um gesto simbólico, era quase um retorno ritualístico ao lugar onde tudo começou. E ao mesmo tempo, era o palco perfeito para Alessandro Michele, o designer responsável por continuar escrevendo o capítulo dessa história.
O DNA da Maison fundada por Valentino Garavani
Antes de entender a relevância e o peso do Desfile da Valentino Inverno 2026/27 é preciso relembrar a história e o DNA da cada fundada por Valentino Garavani, o Rei do Chic.
Sabia que no Etiqueta Única você pode vender sua bolsa de luxo com discrição e rapidez no maior brechó de luxo online do Brasil? Descubra como vender suas bolsas de luxo agora!
Por décadas, Valentino representou uma ideia muito específica de glamour. Uma elegância que parecia existir fora do tempo: luxuosa, cinematográfica, absolutamente refinada. Seus vestidos eram reconhecidos instantaneamente. Silhuetas esculturais, bordados precisos, volumes controlados com perfeição. E, claro, o lendário Valentino Red, um tom de vermelho que se tornou quase sinônimo da própria marca.
Valentino Garavani vestiu primeiras-damas, estrelas de cinema, aristocratas e socialites em uma era em que a moda ainda orbitava ao redor de uma ideia clássica de sofisticação.
Por isso, quando o estilista morreu no início de 2026, muitos na indústria falaram no fim de um ciclo. Valentino era frequentemente descrito como “o último imperador da moda”, um título que parecia resumir não apenas sua carreira, mas toda uma forma de pensar luxo e elegância. Mesmo que ele não estivesse mais a frente da sua própria marca desde 2007, sua figura ainda era muito influente e seu legado sempre respeitado pelos diretores criativos que assumiram o seu lugar.
O desfile em Roma, portanto, carregava inevitavelmente um tom de despedida.

A chegada de Alessandro Michele
Mas a moda nunca para. Quando Alessandro Michele assumiu a direção criativa da Valentino em 2024, a escolha foi vista por muitos como ousada. Talvez até paradoxal.
Durante sua passagem pela Gucci, Michele redefiniu completamente a estética da marca. Seu universo criativo é maximalista, erudito, carregado de referências históricas, cultura pop, arte e nostalgia. Onde Valentino representava disciplina e pureza de linhas, Michele frequentemente abraça o excesso.
A pergunta era inevitável: como esses dois mundos poderiam coexistir? O desfile Fall/Winter 2026/2027 sem dúvidas, respondeu essa pergunta.

Um desfile entre o barroco e os anos 80
Apresentada no Palazzo Barberini, a coleção parecia dialogar diretamente com o cenário ao redor. O barroco romano, dramático, ornamentado, teatral, encontrou eco nas roupas.
A passarela trouxe silhuetas amplas, ombros marcados, vestidos plissados que pareciam flutuar e casacos de couro estruturados que adicionavam peso à narrativa. Havia uma energia claramente inspirada nos anos 1980: proporções exageradas, styling audacioso, acessórios abundantes. Mas nada ali parecia simplesmente nostálgico.
Michele construiu a coleção como uma espécie de colagem estética. Vestidos delicados apareciam ao lado de peças quase austeras. Tecidos etéreos encontravam texturas densas. O resultado era um jogo de contrastes: algo que o próprio designer descreveu como “interferências” entre passado e presente.

A Valentino de Michele
Se havia alguma dúvida sobre o que Michele pretende continuar fazendo na Valentino, o desfile em Roma deixou uma pista clara: ele não está interessado em repetir fórmulas.
Em vez de reproduzir a elegância clássica da maison, o designer parece determinado a expandir o universo visual da marca. Isso aparece no styling carregado, nas sobreposições inesperadas, nas referências históricas que atravessam décadas diferentes.
Mas, curiosamente, quanto mais exuberante se torna o universo de Michele, mais certos elementos clássicos da Valentino acabam se destacando. O trabalho de construção dos vestidos. A precisão da silhueta. O drama elegante que sempre esteve no coração da marca.

O momento final
Todo desfile tem um momento em que a narrativa se fecha. Em Roma, esse momento veio em forma de vermelho. Quando o último vestido apareceu na passarela: longo, intenso, absolutamente Valentino, a referência era impossível de ignorar.
O Valentino Red voltou ao centro da cena. Não como nostalgia, mas como continuidade.
Em uma indústria que vive de rupturas, talvez a mensagem mais poderosa daquele desfile tenha sido justamente essa: certas identidades não desaparecem. Elas apenas encontram novas formas de existir.

(Fotos/Reprodução Vogue Runway).
Desfile Valentino Inverno 2026/27: Entre memória e futuro
O desfile Valentino Inverno 2026/27 não foi apenas mais uma coleção que arrancou aplausos. Foi um momento raro em que passado, presente e futuro dividiram a mesma passarela.
De um lado, a memória de um dos maiores estilistas da história.
Do outro, um designer conhecido por reinventar códigos visuais.
E no meio de tudo isso, uma marca mostrando como equilibrar legado e transformação.
Roma, com sua habilidade milenar de preservar história enquanto continua vivendo, parecia o lugar ideal para esse encontro. Afinal, poucas cidades entendem tão bem quanto ela que o tempo não destrói tudo. Às vezes, ele apenas transforma.
Assista ao Desfile Valentino Inverno 2026/2027 Completo:
Gostaram?












