Tudo sobre a estreia de Maria Grazia Chiuri na Fendi!
A Fendi é uma marca de luxo fundada em Roma, na Itália, em 1925, que ficou conhecida no mercado por produzir bolsas de couro feitas à mão com alto grau de qualidade e sofisticação. A marca italiana tem como símbolo o seu logotipo de F invertido (chamado de Zucca na versão maior e Zucchino na versão pequena), que estampa seus maiores sucessos como a bolsa Baguette, óculos de sol, acessórios e até mesmo peças de roupa.
Assim como diferentes marcas da indústria, a casa italiana passou por um processo de mudanças com a chegada de uma nova diretora criativa, Maria Grazia Chiuri, que acaba de apresentar sua primeira coleção no cargo durante a Semana de Moda de Milão.
Confira abaixo todos os detalhes sobre o desfile de estria de Maria Grazia Chiuri como diretora criativa da Fendi:
Fendi Outono/Inverno 2026-27
“Menos eu, mais nós”, dizia o mantra estampado na passarela e nas alças de algumas bolsas apresentadas. O que se mostrou verdade: muitos aspectos do desfile de estreia de Maria Grazia Chiuri como diretora criativa da Fendi na última quarta feira foram sobre afirmar união, pluralismo e colaboração. No entanto, ficou claro que esta foi uma operação conduzida por Chiuri. Antes do desfile, ela havia falado repetidamente sobre focar na silhueta. Quando fez sua reverência, ficou evidente que, além do contorno de seus looks, ela também estava empenhada em redefinir a própria essência da Fendi.
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A mudança mais ousada na restauração de Chiuri foi a ênfase renovada na pele. A especialidade da Fendi é a pele, mas durante anos ela foi ignorada devido à desaprovação em muitos (mas não em todos) os mercados. No entanto, no desfile era impossível não notar a procedência dos adornos, golas e franjas nos coletes com tachas ou estampas animalia, nas gabardinas ou no longo casaco de couro preto com recortes florais feitos à mão e costurados como renda.

Foram os homens que usaram as peles mais extravagantes e exuberantes: o look 21, com seu toque retrô de raposa; o look 51, com seu blazer verde de pelo comprido; e o look 38, com sua mistura felpuda de retalhos. Uma jaqueta feminina apresentava retalhos de pele costurados em uma camuflagem de floresta. Essas peças exibiam o novo projeto Echo Of Love de Chiuri, que oferece aos clientes a oportunidade de trabalhar com o ateliê da Fendi para redesenhar peles preciosas que já possuem e que podem incorporar “durabilidade emocional” — um significado pessoal inerente ao material. “Tenho peças que são muito importantes para mim porque me trazem alguma emoção e me lembram de algum momento da minha vida. Acho que a ligação com o objeto é muito pessoal”, disse Chiuri. O recente retorno da pele, quando vintage, ao vocabulário do vestuário entre os jovens em cidades como Nova York parece ter prenunciado esse novo experimento da Fendi.
Outros toques pessoais nesta coleção incluíam as golas removíveis em algodão branco, couro preto, pele preta e outros materiais que lembravam as camisas sob medida da Hilditch & Key de Karl Lagerfeld. Pareciam uma homenagem, e talvez também uma declaração: neste desfile misto, apenas mulheres as usavam. Outra homenagem veio através da colaboração com a artista SAGG Napoli, que expressou sua “Estética do Sul” por meio de cachecóis de futebol de pele e camisetas que declaravam uma afinidade tribal com as cinco irmãs Fendi com quem Chiuri trabalhou em sua primeira década na marca, entre 1989 e 1999. Estas também vinham estampadas com declarações como “enraizada, mas não presa” e “vulcânica, mas não destrutiva”. Uma segunda colaboração com o espólio de Mirella Bentivoglio viu a Fendi relançar joias e estampas (em camisetas) originalmente concebidas pela falecida artista para explorar as cargas desiguais de gênero na linguagem.

A autoconsciência subversiva e irônica de Bentivoglio e seus jogos de sujeito e objeto pareciam sincronizar-se com a escolha de Chiuri de vestir peças masculinas com as características mais “troféu”. Além de experimentar com a aplicação de seus acentos, a estilista também trabalhou para estabelecer uma gramática compartilhada. Seus blazers de lapela entalhada com saias impecáveis e abotoamento duplo, seus ternos de abotoamento simples com fecho de alça, seus conjuntos jeans duplos e seus sobretudos de couro foram apenas alguns dos looks que ela apresentou duas vezes, tanto em homens quanto em mulheres, como parte de sua abordagem de guarda-roupa compartilhado.
Uma abordagem singular adicional ao potencial plural da Fendi pode ser observada ao se focar nas bolsas. Chiuri fez parte da equipe de acessórios que desenvolveu a icônica Baguette, e a selleria (ou selaria e trabalho em couro) é o segundo pilar fundamental da Fendi. Ela trabalhou para reviver a filosofia que, segundo ela, norteava a criação da Baguette, aplicando bordados com miçangas ou peles por meio de técnicas artesanais de todas as áreas de especialização da maison. O modelo também ganhou uma segunda alça para permitir que a peça fosse usada transversalmente no ombro.

Apropriadamente, a silhueta principal que Chiuri estava esboçando lembrava, por vezes, um X. Essa silhueta era formada pelo espaço negativo de um decote em V profundo e pelas bordas esvoaçantes de uma saia ou jaqueta afunilada. Para quem acompanhou suas duas passagens anteriores como estilista principal da Valentino e da Dior, esse foi apenas um dos elementos desta coleção em que se podia reconhecer a assinatura de Chiuri: Menos Eu e Mais Nós, mas também Muito Ela.
“Fui muito bem recebida aqui, por Paula, Anna, Silvia e a família, e também por pessoas que trabalham aqui há muito tempo e de quem me lembro de quando eu era mais jovem”, disse Chiuri. “Quando as pessoas são tão acolhedoras, você sente vontade de retribuir.”












