O Diabo Veste Prada: O filme referência no mundo fashion
Lançado em 2006, O Diabo Veste Prada segue entre os filmes mais citados quando o tema é moda e cultura de luxo, mantendo relevância quase duas décadas depois de sua estreia. Referências visuais do longa continuam aparecendo em passarelas, editoriais, coleções de grifes e até no Pinterest, reforçando seu lugar como um dos retratos mais duradouros do imaginário fashion no cinema. Além de um sucesso de bilheteria, o filme se consolidou como uma leitura do funcionamento da indústria da moda e ajudou a transformar Miranda Priestly em uma das personagens mais icônicas da cultura pop.
Estrelado por Meryl Streep e Anne Hathaway, o longa atravessou gerações não apenas pelo roteiro, mas pela força estética do figurino assinado por Patricia Field, pelos diálogos marcantes e pela forma como traduziu, com precisão rara, as dinâmicas de ambição, poder e desejo dentro do universo da moda de luxo.

O Diabo Veste Prada é baseado em história real?
Parcialmente. O filme é inspirado no romance escrito por Lauren Weisberger, que trabalhou como assistente pessoal de Anna Wintour na Vogue americana no início dos anos 2000. Embora a autora nunca tenha confirmado oficialmente que Miranda Priestly seja Anna Wintour, as semelhanças sempre foram evidentes para a indústria da moda.
O corte de cabelo curto, a personalidade extremamente exigente, a relação fria com subordinados e o ambiente da revista Runway remetem diretamente aos bastidores da Condé Nast e da Vogue americana naquele período.
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Anna Wintour assistiu ao filme e elogiou a atuação de Meryl Streep, afirmando não se reconhecer na personagem.
Quem é Miranda Priestly?
Interpretada por Meryl Streep, Miranda Priestly é a poderosa editora-chefe da fictícia revista Runway. No universo do filme, ela dita tendências, decide quais marcas terão relevância e influencia diretamente o mercado de luxo.
A personagem se tornou um ícone justamente por fugir do clichê da vilã caricata. Miranda é dura, fria e extremamente exigente — mas também é competente, inteligente e respeitada. Essa ambiguidade ajudou a transformar a personagem em uma referência cultural que ultrapassou o universo do cinema.

A inspiração do Filme
O roteiro de Aline Brosh McKenna — baseado no romance de Lauren Weisberger — coloca frente a frente dois mundos completamente incompatíveis. De um lado, Miranda Priestly, editora-chefe da revista Runway, interpretada por Meryl Streep com precisão cirúrgica: uma mulher que decide o destino de grifes com um monossílabo e humilha subordinados sem nunca erguer a voz.
Do outro, Andrea Sachs — Andy — interpretada por Anne Hathaway. Recém-formada em jornalismo, ela chega a Nova York sem nenhum interesse em moda e acaba parar exatamente na revista que mais exige o contrário disso. Seu jeito desleixado e sua relutância em entrar no jogo formam o motor dramático do filme.
“Você acha que isso não tem nada a ver com você. Você foi até o seu armário e escolheu essa blusa azul informe porque tenta dizer ao mundo que se leva muito a sério para se preocupar com o que veste.”— Miranda Priestly, O Diabo Veste Prada (2006)
Os funcionários da Miranda são chamados de Clackers — o apelido vem do barulho dos saltos finos no corredor da redação. Andy começa como a ovelha desgarrada do rebanho, mas a jornada dela não é simplesmente uma transformação de visual: é uma pergunta sobre o quanto de si mesma ela está disposta a negociar para conquistar o que quer.
Dirigido por David Frankel, o filme equilibra comédia e crítica — e a ambiguidade de Miranda é o que o salva do maniqueísmo. Ela não é a vilã. E é exatamente por isso que o filme dura.
As marcas de luxo que aparecem em O Diabo Veste Prada
Grande parte do impacto visual do filme vem do uso constante de marcas de luxo reais. O figurino mistura peças clássicas e tendências dos anos 2000 que continuam relevantes até hoje.
Chanel
A maison francesa aparece em bolsas, acessórios e peças de alfaiataria usadas principalmente por Miranda Priestly.
Prada
Apesar do nome do filme, a Prada aparece de forma relativamente discreta no figurino, mas simboliza perfeitamente o universo sofisticado da Runway.
Valentino
Vestidos e peças refinadas da grife italiana ajudam a construir o visual elegante das personagens.
Jimmy Choo
Os sapatos de salto fino usados ao longo do filme ajudaram a consolidar a estética fashion dos anos 2000.
Miranda Priestly e Anna Wintour
Lauren Weisberger trabalhou como assistente de Anna Wintour na Vogue americana antes de escrever o livro. Miranda foi construída como um alter ego da editora: o cabelo marcante, o padrão impossível de exigência, a economia absoluta de palavras — tudo dialoga com o que se conta sobre os bastidores da Condé Nast.
Wintour assistiu ao filme, não se reconheceu em Miranda e elogiou a performance de Meryl Streep. Típico de quem tem a blindagem perfeita. Ela continua como editora-geral da Vogue e diretora de conteúdo da Condé Nast — mais influente do que nunca no mesmo universo que o filme satirizou.

O figurino de O Diabo Veste Prada que ditou tendências
Grande parte do impacto cultural de O Diabo Veste Prada vem do figurino assinado por Patricia Field — a mesma stylist responsável por Sex and the City. Com orçamento estimado em mais de 1 milhão de dólares, o filme reuniu peças de marcas como Chanel, Prada, Valentino, Donna Karan e Jimmy Choo em um guarda-roupa que ajudou a definir a estética fashion dos anos 2000.
Quase duas décadas depois, muitos dos looks usados por Andy Sachs e Miranda Priestly continuam extremamente atuais. Isso acontece porque o filme apostou menos em tendências passageiras e mais em peças clássicas que seguem fortes no inverno europeu, no street style e nas passarelas.

Trench Coat: O casaco que virou assinatura de Andy Sachs
Entre as peças mais associadas ao filme, o trench coat usado por Andy durante sua transformação visual foi o mais marcante. O modelo aparece combinado com botas de couro, boinas e bolsas estruturadas, criando uma estética elegante que ainda inspira produções no Pinterest e no TikTok.
Originalmente criado pela Burberry no início do século XX, o trench coat ultrapassou o universo militar e se transformou em um clássico definitivo do guarda-roupa feminino. No filme, ele ajuda a marcar a evolução da personagem dentro do universo da moda.
Até hoje, o sobretudo segue como uma das peças mais versáteis do inverno e funciona tanto com vestidos e saias quanto com jeans skinny e alfaiataria.

Boinas: O acessório que voltou para a moda por causa do filme
As boinas usadas por Andy Sachs ajudaram a transformar o acessório em tendência novamente nos anos 2000. Grande parte dos modelos escolhidos pela produção tinha padronagem xadrez e inspiração parisiense, reforçando a estética sofisticada da personagem após sua mudança de visual.
Mesmo anos depois, a boina continua aparecendo em coleções de inverno de marcas de luxo e no street style europeu. O acessório funciona especialmente bem em looks neutros, trazendo personalidade sem deixar a produção exagerada.
O sucesso da peça no filme também ajudou a consolidar a ideia de que acessórios podem transformar completamente uma composição simples.

Jaqueta de couro: o clássico que nunca sai de moda
Entre os looks mais lembrados de Andy Sachs estão as combinações com jaqueta de couro, botas de cano alto e calça skinny. A peça aparece em momentos importantes da narrativa e reforça uma imagem mais madura e sofisticada da personagem.
A força da jaqueta de couro está justamente na versatilidade. Ela funciona tanto em produções minimalistas quanto em looks mais ousados, além de atravessar tendências sem perder relevância — algo raro no universo fashion.
Não por acaso, o item continua presente nas coleções de marcas de luxo e segue como um dos maiores clássicos do guarda-roupa de inverno.

Scarpin: o salto que transformou os looks do filme
Ao longo da película, os scarpins aparecem como elemento central da transformação visual de Andy Sachs. O modelo ajuda a construir uma imagem mais refinada da personagem e traduz perfeitamente a estética sofisticada da revista Runway.
Popularizado no pós-guerra graças ao “New Look” de Christian Dior, o scarpin permanece como um dos sapatos mais elegantes da moda feminina. Em O Diabo Veste Prada, ele surge combinado com alfaiataria, casacos estruturados e bolsas clássicas — fórmulas que continuam atuais quase vinte anos depois.

Bota over the knee: tendência dos anos 2000 que voltou com força
As botas over the knee usadas no filme se tornaram uma das maiores referências de moda do inverno dos anos 2000. O modelo aparece combinado com saias, vestidos e calças skinny, criando silhuetas alongadas e sofisticadas.
Nos últimos anos, a peça voltou com força para o street style e para as passarelas de marcas de luxo. Além de elegante, a bota acima do joelho funciona como um elemento de destaque em produções monocromáticas e minimalistas.

(Foto 1: Reprodução/Instagram @culturautopica; Foto 2: Reprodução/Instagram @outfitsseriesandmovies).
Personagens principais do filme
| Personagem | Ator/Atriz | Função na narrativa |
|---|---|---|
| Miranda Priestly | Meryl Streep | Editora-chefe da Runway |
| Andrea Sachs | Anne Hathaway | Protagonista |
| Emily Charlton | Emily Blunt | Primeira assistente |
| Nigel Kipling | Stanley Tucci | Diretor criativo e mentor |
| Christian Thompson | Simon Baker | Escritor e interesse romântico |
Prêmios e impacto cultural
O filme arrecadou mais de US$ 326 milhões mundialmente e se consolidou como um dos grandes sucessos da década de 2000.
Entre os principais reconhecimentos:
- Globo de Ouro de Melhor Atriz (Meryl Streep)
- Indicações ao Oscar e BAFTA
- Indicação ao Oscar de Melhor Figurino
Além das premiações, o impacto cultural do filme ultrapassou o cinema, influenciando comportamento, consumo e estética editorial na moda.
O Diabo Veste Prada 2 chegou aos cinemas
Quase vinte anos depois, Miranda Priestly voltou às telas ao lado de Andy Sachs, Emily Charlton e Nigel. A sequência estreou em 2026 e rapidamente recolocou o universo da Runway entre os assuntos mais comentados da moda e do cinema.
O novo filme explora as transformações da indústria editorial em uma era dominada pelas redes sociais, luxo digital e influência online — enquanto Miranda tenta manter seu poder em um mercado completamente diferente daquele do primeiro longa.
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