Maquiagem da Chanel: Lucia Pieroni é a Nova Diretora Criativa da Linha Beauty
A Chanel anunciou nesta sexta-feira, 25 de setembro, a nomeação de Lucia Pieroni como diretora criativa de maquiagem da maison. A escolha não deve ser confundida com a de Matthieu Blazy, que ocupa a direção criativa geral de moda da grife desde outubro de 2025. São cargos distintos, com responsabilidades distintas, e entender essa diferença ajuda a explicar por que a beleza se tornou uma peça tão estratégica no tabuleiro das grandes marcas de luxo.
Enquanto Blazy responde por toda a moda da casa, incluindo alta-costura, prêt-à-porter e acessórios, Pieroni assume o comando da divisão de maquiagem, respondendo diretamente a Simona Cattaneo, presidente da divisão de fragrâncias e beleza da Chanel. São áreas de negócio que caminham lado a lado, mas obedecem a lógicas de mercado bem diferentes, e a nomeação de Pieroni chega em um momento em que a beleza tem se mostrado uma das frentes mais lucrativas do setor de luxo.
Quem é Lucia Pieroni
Britânica, formada em pintura, Pieroni construiu uma carreira de cerca de 35 anos no universo da maquiagem antes de chegar à Chanel. Começou em Londres, ainda nos anos 1990, ao substituir um profissional ausente durante um ensaio fotográfico da própria irmã, que trabalhava como modelo. Pouco depois, mudou-se para Nova York, onde passou a colaborar com fotógrafos de peso como Steven Klein, Tim Walker e Mario Sorrenti, consolidando um repertório editorial que hoje é citado como uma de suas maiores credenciais.
Entre 2006 e 2019, ela foi diretora criativa de maquiagem da Clé de Peau Beauté, marca do grupo japonês Shiseido, período em que também assinou os bastidores de desfiles de casas como Prada, Celine e Givenchy, além de campanhas para Alexander McQueen, Calvin Klein, Ferragamo e Versace. Desde a estreia de Matthieu Blazy na Chanel, em outubro de 2025, Pieroni já vinha assinando a beleza das passarelas da maison, o que tornou sua efetivação no cargo, de certa forma, uma consequência natural dessa parceria.
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Ela sucede o Cometes Collective, coletivo formado por Cécile Paravina, Ammy Drammeh e Valentina Li, responsável pelo Estúdio de Criação de Maquiagem da grife desde 2022. Em comunicado, Simona Cattaneo destacou o instinto de Pieroni para reconhecer a individualidade de cada rosto, enquanto Alain Wertheimer, presidente executivo global da Chanel, e Leena Nair, CEO global da marca, ressaltaram sua reputação como uma das profissionais mais respeitadas do segmento internacional de maquiagem.

O peso da beleza nas receitas das grandes marcas de luxo
Movimentações como essa raramente são só sobre estética. Casas de luxo como Chanel, Dior e Louis Vuitton têm investido pesado em suas divisões de fragrância e beleza justamente porque esses produtos sustentam uma parte relevante da receita, com margens elevadas e um público de entrada muito mais amplo do que o das bolsas e peças de alta-costura. Não é à toa que a Louis Vuitton, historicamente distante desse universo, estreou sua própria linha de maquiagem em 2025, a La Beauté, com batons, balms e paletas que carregam o DNA da grife em formato de bolso.
Essa lógica explica boa parte do apelo de itens como batom, blush e sombra dentro do ecossistema de uma maison. Nem todo mundo pode, ou quer, desembolsar o valor de uma bolsa Chanel, mas um batom com o famoso duplo C na embalagem já é o suficiente para carregar consigo um pedaço daquele universo. É o mesmo raciocínio por trás dos acessórios mais acessíveis da própria grife, como mostramos em nosso levantamento sobre o item mais barato da Chanel hoje, no qual um simples pacote de discos demaquilantes da linha de beleza aparece como uma das portas de entrada mais baratas da marca.

Batom, blush e a experiência Chanel sem a bolsa
Para quem acompanha o mercado de luxo, essa combinação entre moda e beleza acessível não é novidade, mas fica ainda mais evidente quando uma casa como a Chanel reforça publicamente o comando criativo dessa área. A maquiagem funciona como um convite de baixo custo relativo para um universo que, na ponta das bolsas e das joias, é naturalmente restrito a poucos. Comprar um blush ou uma sombra assinada por Pieroni é, na prática, uma forma de experimentar a visão estética que também molda as passarelas de Blazy, ainda que em outra escala.
Essa mesma lógica de acesso é o que move o mercado de segunda mão de luxo. Assim como um batom pode ser a porta de entrada para quem sonha com o universo Chanel, uma bolsa clássica seminova, com autenticidade garantida, costuma ser o próximo passo natural para quem já se aproximou da marca por outros caminhos e quer dar um salto de investimento.

Uma nova fase para a maquiagem Chanel
Com a chegada de Pieroni, a Chanel completa um ciclo de renovação criativa que já havia começado com Blazy na moda e segue agora para a beleza, uma das categorias mais sensíveis a mudanças de comando porque impacta diretamente o dia a dia do consumidor, muito mais do que uma coleção de alta-costura vista apenas nas passarelas. Nos desfiles recentes sob a direção de Blazy, Pieroni já vinha assinando propostas de maior impacto visual, com referências como batom vermelho de brilho arroxeado, sombras em folha de ouro e cílios trabalhados como plumas, um indício do que pode se tornar a assinatura visual da maquiagem Chanel daqui para frente.
Resta acompanhar como essa nova direção vai se traduzir em lançamentos práticos nas próximas coleções de beleza da maison, mas o recado por trás da nomeação já está dado. A Chanel entende que sua força não está apenas nas bolsas que viram peças de investimento no mercado de segunda mão, mas também nesses pequenos rituais de beleza que aproximam qualquer pessoa daquele universo, com ou sem uma Classic Flap no armário.













