Tudo sobre o desfile de Primavera/Verão 2027 da Fendi
A Fendi é uma marca de luxo fundada em Roma, na Itália, em 1925, que ficou conhecida no mercado por produzir bolsas de couro feitas à mão com alto grau de qualidade e sofisticação. A marca italiana tem como símbolo o seu logotipo de F invertido (chamado de Zucca na versão maior e Zucchino na versão pequena), que estampa seus maiores sucessos como a bolsa Baguette, óculos de sol, acessórios e até mesmo peças de roupa.
A grife passou recentemente por uma grande mudança interna, com a chegada de Maria Grazia Chiuri no cargo de diretora criativa, que apresentou na última quarta feira, 23 de Setembro, sua coleção de Primavera/Verão 2027 da marca durante a Semana de Moda de Milão.
Confira abaixo tudo sobre o desfile de Primavera/Verão 2027 da Fendi:
Fendi Primavera/Verão 2027
Para a coleção Primavera-Verão 2027 da Fendi, Maria Grazia Chiuri coloca o corpo no centro de sua narrativa, concebendo-o como um manifesto de liberdade emocional e um ponto de encontro entre o masculino e o feminino.
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Para a estilista, “o corpo é sempre o ponto de partida… usamos a moda porque, independentemente da marca, queremos transformar nossos corpos”. Inspirando-se nos famosos versos do poeta E. E. Cummings — “Gosto do meu corpo quando ele está com o seu corpo” —, o desfile busca captar o espírito do tempo por meio de peças concebidas como uma segunda pele, porosa e em sintonia com as emoções contemporâneas.
A coleção inspira-se na moda íntima e foi criada tanto para homens quanto para mulheres. É um estudo sobre a sobreposição de camadas leves que, simultaneamente, ocultam e revelam, onde rendas, bordados e recortes ganham vida em uma rica paleta de cores.

A estética também é norteada por Raffaella Carrà. Esse ícone inesquecível da televisão italiana é celebrada como uma referência fundamental por sua capacidade de subverter regras, desmantelar hierarquias de desejo e afirmar uma independência absoluta de vida e pensamento, tanto no cotidiano quanto em seus icônicos figurinos de palco.
Para Chiuri, ícones da televisão italiana dos anos 1970 — como Adriano Celentano, o primeiro homem a personificar a sensualidade masculina na Itália, e Raffaella Carrà — são referências-chave que encarnam uma nova maneira de ser. Eles trouxeram uma nova noção de liberdade corporal nos anos 1970, um período crucial para a formação do DNA da Fendi. E, de certa forma, tratava-se de uma rebeldia que a estilista descreve como “familiar: uma nova maneira de ser que nos pertencia”.
O universo visual do desfile é enriquecido com referências marcantes à cultura italiana. A performance icônica e vibrante dos bailarinos ao som de “Prisencolinensinainciusol”, de Adriano Celentano, desenrola-se em meio a uma profusão de espelhos. A cenografia do desfile presta homenagem à arte contemporânea, inspirando-se diretamente na obra Cubo di specchi (Cubo de Espelhos) de Luciano Fabro, transformando o espaço em uma experiência imersiva que convida o espectador a confrontar a imagem refletida do outro.

Maria Grazia Chiuri descreve o cenário escolhido para o desfile como “um teatro de espelhos”, onde “nos vemos refletidos nos corpos dos outros”.
“Para uma geração como a minha, a discoteca era um lugar de liberdade e encontros, um espaço onde se podia dançar e, sobretudo, reconectar-se com os outros. Hoje, muitas vezes perdemos essa conexão”, afirma a estilista romana, refletindo sobre como o retorno a Roma — a cidade “onde tudo começou” — lhe conferiu uma nova “energia especial” e a oportunidade de compartilhar suas raízes, inclusive as culturais.
Fluidez e contrastes de materiais para uma moda sem hierarquias. Na passarela, o conformismo e os estereótipos de gênero são totalmente desconstruídos. Corpos se misturam, assim como tecidos e comprimentos. Os contrastes abundam: diálogos táteis onde o brilho encontra o fosco, o leve colide com o pesado e a seda se depara com a estampa de leopardo.

Peças metafóricas: destacam-se criações de vanguarda, como o robe reinventado para o uso externo, ao lado de combinações inesperadas de veludo e pergaminho. Detalhes luxuosos: a atitude “punk-burguesa” da coleção é selada por sapatos-joia requintados. Uma proposta poderosa e democrática, na qual homens e mulheres se posicionam como iguais, celebrando o corpo e rejeitando qualquer forma de restrição.












