Maria Grazia Chiuri apresenta coleção Alta-Costura na Fendi
A Fendi é uma marca de luxo fundada em Roma, na Itália, em 1925, que ficou conhecida no mercado por produzir bolsas de couro feitas à mão com alto grau de qualidade e sofisticação. A marca italiana tem como símbolo o seu logotipo de F invertido (chamado de Zucca na versão maior e Zucchino na versão pequena), que estampa seus maiores sucessos como a bolsa Baguette, óculos de sol, acessórios e até mesmo peças de roupa.
A grife passou recentemente por uma grande mudança interna, com a chegada de Maria Grazia Chiuri no cargo de diretora criativa. E, agora, ela acaba de apresentar sua primeira coleção de Alta-Costura para a casa de moda italiana.
Confira abaixo todos os detalhes sobre a primeira coleção de Alta-Costura de Maria Grazia Chiuri para a Fendi:
Fendi Alta-Costura
A Galleria Nazionale d’Arte Moderna e Contemporanea, em Roma, sediou a coleção de estreia de Maria Grazia Chiuri na alta-costura para a Fendi. Chiuri é romana e retornou à capital italiana para assumir seu novo cargo após quase uma década em Paris, na Dior.
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Logo de início, ficou claro que a mudança não diminuiu em nada seu espírito alegremente contestador: em uma cidade repleta de antiguidades, ela opta pelo moderno e pelo contemporâneo.
Para marcar a ocasião, Chiuri decidiu recriar uma exposição da Fendi de 1985, organizada por Karl Lagerfeld na época em que ele celebrava seu 20º aniversário na grife. Embora a mostra incluísse nada menos que 180 ilustrações de Lagerfeld, além de 25 peças de pele desenhadas por ele, não se tratava de uma simples repetição da história. Enquanto as silhuetas criadas por Lagerfeld para a Fendi nos anos 80 eram volumosas, com ombros marcantes e proporções exageradas, a visão de Chiuri é muito mais fluida, com formas em linha A e sem marcação na cintura, que costumam cair até o meio da panturrilha ou o tornozelo.

O primeiro look — um caftã com padrão chevron formado por faixas pretas e brancas — foi inspirado em um vestido usado há um século por Emilie Flöge. Flöge é lembrada como a companheira de vida do artista Gustav Klimt, mas era uma estilista talentosa por mérito próprio, especializada nas formas soltas e amplas do chamado “estilo de reforma” (Reformkleid). Era uma época em que as mulheres rejeitavam a rigidez sufocante do vestuário vitoriano.
Como declaração inicial, o caftã de Chiuri não poderia ser mais diferente das peças espetaculares, com espartilhos dramáticos e excesso de adornos, que dominaram muitos dos desfiles de alta-costura em Paris. Alguns poderiam olhar para a peça e classificá-la como minimalista ou até ousar dizer que “não é alta-costura”, mas isso seria não compreender a proposta de Chiuri. O ofício não precisa ser extravagante; “na Fendi”, observou ela, “o trabalho artesanal não é apenas um elemento, é o centro de tudo, provavelmente porque a grife começou com malas, bolsas e peles”. Sua ideia era ativar todos os ateliês da casa — alta-costura, peles, couro e têxteis — e promover uma troca criativa entre eles.
Uma capa marfim lembrava renda à distância, mas, de perto, revelava flores feitas de pele, couro e tecido. Outra parecia ter sido tricotada em pele. (Tudo isso, ela ressaltou, provém do programa Echo of Love da Fendi, que reaproveita peles já existentes.) Calças de cintura alta e corte flare também acompanhavam as capas.

Já as jaquetas apresentavam proporções amplas, lembrando quimonos desamarrados. Sobre essas formas simples, Chiuri comentou: “A ideia é que o corpo, de certa forma, defina a silhueta. Não é algo que se constrói”. Isso é “completamente diferente da outra casa de alta-costura onde trabalhei”, disse ela, referindo-se à Dior e à sua estrutura característica do New Look. A ideia de que o corpo define a silhueta confirmou-se plenamente nos longos vestidos de corte em viés com ar de femme fatale: um deles trazia detalhes em estilo Art Déco no decote, e outro exibia padrões de hachuras, complementado por um colar imponente.













