Pierpaolo apresenta primeira coleção Alta-Costura na Balenciaga
Uma das marcas de luxo mais cools e descoladas que existem, a Balenciaga foi foi fundada pelo espanhol Cristóbal Balenciaga Eizaguirre em 1937 em Paris. Muito importante para o mundo da moda, suas roupas eram conhecidas por terem confecção e cortes perfeitos, além da grande influência da cultura e história espanhola.
Após cair em esquecimento do público, a maison teve seu prestígio de volta apenas no final da década de 90 graças à Nicolas Ghesquière, que criou peças que até hoje são icônicas e marca registrada da marca.
Atualmente sob o comando de Pierpaolo Piccioli, a marca acaba de começar mais um novo capítulo em sua história, com a apresentação da primeira coleção de Alta-Costura assinada pelo estilista italiano, que se juntou a marca há apenas um ano.
Confira abaixo todos os detalhes sobre o primeiro desfile de Alta-Costura de Pierpaolo Piccioli para a Balenciaga:
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Balenciaga Alta-Costura
Em meio ao clima quente, uma onda de entusiasmo tomou conta da praça central da Cité Internationale Universitaire na manhã ensolarada da última quarta-feira, 08 de Julho. Sorrisos e lágrimas transpareciam nos rostos de cerca de 50 artesãos dos ateliês da Balenciaga, que desceram as escadarias da universidade ao lado do diretor criativo da grife, Pierpaolo Piccioli, todos vestindo jalecos brancos. Eles foram aplaudidos de pé. Um desfecho coletivo que encerrou a apresentação criativa do estilista italiano, marcando um dos pontos altos da Semana de Alta-Costura de Paris.
A casa apresentou uma coleção de 52 looks que aliava o rigor original de Cristóbal Balenciaga às interpretações magistrais do estilista italiano. Valendo-se de sua experiência, Pierpaolo Piccioli não se deixou prender a uma abordagem meramente reverencial em relação ao legado do couturier basco.
Para definir o tom, o primeiro look não apresentava sequer um vestígio de preto — cor tão emblemática da obra de Cristóbal Balenciaga. A composição trazia uma camiseta de seda branca combinada com calças de lã bege-claro de corte amplo. Uma capa laranja em formato de balão, bordada com penas de cetim e volumosa nas costas, impôs sua elegância logo de início. Em seguida, surgiu um casaco de cashmere branca dupla-face, usado sobre uma blusa sem mangas de georgette de seda lilás e calças de lã em tom alaranjado, bordadas com pétalas de organza.

“Este casaco foi inspirado na silhueta de um vestido de gala de 1961 criado por Cristóbal Balenciaga… Mas esse foi apenas o ponto de partida”, explicou o estilista ao site FashionNetwork.com ao final do desfile. “Ele acabou se tornando um casaco de cashmere branca com forro de renda. É uma peça tradicional de alta-costura, porém confeccionada de maneira extremamente inovadora. Levou seis meses para ser feita. Escaneamos o corpo e depois criamos um molde. Parece muito simples, mas, se você observar com atenção, a cashmere está moldada ao corpo. Como disse Brancusi: ‘A simplicidade é a complexidade resolvida’; é um ponto de chegada, não um ponto de partida.”
Mas nem tudo se resumiu à simplicidade. A Balenciaga recorreu à sua expertise em bordados, trabalhos com plumas e metalurgia, acrescentando uma camada tecnológica com o uso de escaneamentos 3D — especialmente nas peças de couro — e de uma seda de bioengenharia chamada AMSilk, antes de apostar na maestria do ateliê em corte e construção para concretizar as propostas esculturais.
Capas volumosas em gazar de seda preta pareciam flutuar sobre os ombros, enquanto calças bordadas com plumas de avestruz pretas, rosas, ameixa ou lilás conferiam um andar felino; já as longas caudas de vestidos ou capas em couro, gazar ou musselina de seda — por vezes com estampas florais — emanavam sensualidade. O estilista italiano e suas equipes também deram liberdade total às suas explorações de volume.

“Cristóbal nunca se deixou limitar a uma única silhueta; eu não poderia, após 50 anos, voltar atrás e me inspirar em algo do passado. Por isso, acredito que precisávamos inventar uma nova silhueta através do corte e da forma, sem qualquer tecido ou estrutura interna. Cristóbal era obcecado pela ideia de movimento e libertou as mulheres de um grande fardo. Para mim, era importante criar novas formas para a vida moderna, mas utilizando o mesmo método de engenharia de corte, trabalhando volumes sem adicionar estruturas — nada por dentro, sem espartilho, nada que restringisse. Moderno, porém alta-costura. Desenvolvemos, assim, inúmeras técnicas. Por exemplo, o vestido vermelho, que parece um vestido de gala muito clássico, é na verdade construído a partir de uma base de alfaiataria fluida e fundida, sem espartilho interno, apenas costuras. Para quebrar as regras, é preciso primeiro conhecê-las todas. E, no final, é preciso ocultar a técnica para alcançar a magia e oferecer a verdadeira beleza, que é emocional e pessoal.”
Essa magia surgiu repetidamente ao longo de meses de trabalho: em um vestido sem alças de organza e gazar de seda com estampa multicolorida, bordado com penas de cetim de seda; em um macacão de gola alta e aberta, feito de crepe de lã e seda em tom roxo-escuro, combinado com luvas de couro de cordeiro bordô; e em um casaco de tweed bouclé verde-anis, cuja parte frontal se eleva como um plastrão alto, revelando, porém, as costas nuas contornadas por pétalas de organza.
As silhuetas tornam-se ainda mais ricas, revelando novas texturas em uma saia de gazar de seda coberta por tiras de viés de organza cinza-pérola franzidas; em um conjunto bordado com penas de avestruz em tom quartzo-rosa, composto por um adorno que cobre a cabeça e o busto e uma saia de tafetá de seda de alta qualidade; em um trio formado por um vestido balonê, um bolero de seda preta e luvas de couro preto que vão até acima do cotovelo; e no impressionante vestido monástico de seda e lã marfim, que parece ter sido cortado em uma única peça e possui uma cauda imensa.

Mas o visual que realmente capturou a atenção do público foi o conjunto usado pela modelo Gigi Hadid, com o rosto velado por uma nuvem de penas de galo pretas e iridescentes — uma figura que era, ao mesmo tempo, uma princesa de um conto de fadas sombrio e uma mulher moderna, vestindo calças largas de lã verde-cipreste e sapatos de salto alto azul-petróleo.
“O visual que Gigi usou transmite aquela sensação de proteção presente no traje tradicional basco, que Cristóbal sempre explorou, mas aqui combinado com calças. No entanto, essa peça funcionava como um xale de penas. Muito leve. E transformava completamente a aura e a percepção da mulher que a vestia. Ela não se sente restringida. Pelo contrário, a peça permite que ela exiba sua extravagância, aquela ideia de autoexpressão. Porque é isso que a alta-costura significa para mim: é uma cultura que permite que você se expresse. É isso que define e molda o espírito da Maison.”













