Capa o post sobre a marca francesa Vionnet

Conheça a Vionnet, marca que voltou à ativa para revolucionar o mundo fashion

A Vionnet é uma maison francesa de alta-costura, fundada por Madeleine Vionnet, considerada a estilista que mais influenciou a moda do século XX, e um das maiores estilistas de toda a história da alta-costura francesa.

A grife foi fundada em 1912 por Madeleine, mas esteve em um período letárgico desde 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial. Vionnet foi reativada em 2006, porém sem muito sucesso. De alguns anos para cá, no entanto, tem se notado um certo burburinho acerca do nome da marca.

Mais recentemente, o designer turco Hussein Chalayan foi contratado para assumir as linhas de Demi-Couture (“meia-costura”, em tradução para o português) e prêt-à-porter (“pronto a vestir”, em tradução para o português) da marca.

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Quer saber o que está por trás de toda essa reformulação da marca? Confira a seguir a história da fundação e da evolução da Vionnet.

O império criado por Madeleine Vionnet

A francesa Madeleine Vionnet é a responsável pela criação da maison de alta-costura. Madeleine nasceu na comuna francesa de Chilleurs-aux-Bois, em 22 de junho de 1876, e veio a ser conhecida como a “arquiteta entre as costureiras”, devido ao seu refinado talento para a costura.

https://www.instagram.com/p/BMYd9MiAm_f/

Madeleine teve a oportunidade de adquirir algumas habilidades ao trabalhar com Kate Reilly em Londres. Reilly foi uma estilista fornecedora de vestuário para a família real britânica. Ao retornar à França, a jovem estilista passou a aprender com outros grandes nomes da moda, tais como Callot Soeurs e Jacques Doucet.  

Sua marca Vionnet foi fundada em Paris, em 1912, mas teve de ser fechada apenas dois anos depois, devido ao início da Primeira Guerra Mundial. Nos anos 1920, a Vionnet veio a se tornar um grande sucesso, o que possibilitou a abertura das novas instalações na Avenue Montaigne, conhecida na época  como “templo da moda”. Essa boutique foi o resultado de uma colaboração magnífica entre o arquiteto Ferdinand Chanut, o decorador George de Feure e o escultor René Lalique. Posteriormente, em 1924, a grife passou a funcionar também em Nova York.

Ao longo de 27 anos, Madeleine desenvolveu diversos conceitos e estratégias criativas e comerciais que ainda nos dias de hoje ajudam a moldar o mercado da moda. A estilista e empresária foi uma verdadeira visionária no mundo da alta-costura, impressionando e influenciando demais profissionais da área com sua abordagem totalmente inovadora, suas habilidades de indumentária e a perfeita harmonia entre experimentação e elegância.

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Quanto às suas principais criações, temos o viés de corte, o qual ela protegeu por meio de patentes. Ela foi também a responsável por inserir a moda de tecidos drapeados, trabalhando com materiais como crepe, gabardine e cetim.

Madeleine ficou marcada por trabalhar com manequins de 80 centímetros de altura, com metade do tamanho de um corpo feminino médio. A estilista foi um dos principais nomes do século XX a trabalhar de forma a modernizar as roupas femininas, libertando as mulheres de espartilhos e priorizando a personalidade de suas clientes, seu bem-estar e os seus desejos.

A arte grega foi uma das principais inspirações utilizadas por Madeleine para criar peças de vestuário, moldando-as de forma a mantê-las agarradas à forma do corpo ao mesmo tempo em que possuía uma fluidez de movimentos. Para ela, os vestidos deveriam assumir a personalidade da pessoa que os usava.  

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A estilista tinha 63 anos quando, em 1939, teve novamente de fechar a sua empresa, em função da eclosão da Segunda Guerra Mundial. Madeleine Vionnet veio a falecer em Paris, em 2 de março de 1975, com 98 anos.

A reformulação da empresa, pelas mãos de Goga Ashkenazi

Devido às dificuldades encontradas pela empresa de Madeleine ao longo do século XX, foi necessário um intenso trabalho de reformulação da marca para que o nome Vionnet se tornasse novamente uma importante referência da moda contemporânea.  

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A principal responsável por esse movimento foi a cazaquistanesa Goga Ashkenazi, que em 2012 comprou a participação majoritária na grife, que ficou conhecida nos patamares da moda como uma grife etérea e arquitetônica. A marca já havia sido reativada em 2006.

Ashkenazi nasceu no Cazaquistão e foi criada em Moscou. Aos 12 anos, sua família a mandou para o Reino Unido para se dedicar aos estudos, e posteriormente ela se formou em História e Economia Moderna pela Universidade de Oxford. Apaixonada por moda desde menina, também fez cursos de design de moda na Universidade Estadual de Moscou de Design e Tecnologia.

Com 24 anos, fundou uma companhia de petróleo e gás no Cazaquistão, em parceria com seu pai.

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Dessa forma, transformou-se uma das primeiras oligarcas femininas de seu país, e uma empreendedora bem-sucedida, que tem em seu currículo atuações em uma infinidade de indústrias de áreas diversificadas, incluindo finanças, petróleo e gás, imóveis e engenharia.

Antes de fechar negócio com a Vionnet, Ashkenazi teria considerado comprar a Ferrè e a Ungaro, o que não aconteceu devido a uma série de complicações com as negociações.  

Não era a sua pretensão inicial fazer parte da direção criativa da marca, que na época da aquisição da empresa estava nas mãos das gêmeas Barbara e Lucia Croce. A parceria não funcionou, o que deu abertura à contratação de Hussein Chalayan.

Foto do estilista Hussein Chalayan
Hussein Chalayan

Assim como Madeleine Vionnet, Chalayan é um visionário da moda dos dias atuais, além de ser também um grande entusiasta da tecnologia. “Meus planos para o futuro imediato da marca são fortalecer os códigos da Vionnet e trabalhar em parceria com Hussein, que vai trazer seu olhar único e abordagem conceitual ao nosso debate criativo e juntos vamos interagir com a estética da Vionnet”, disse Ashkenazi em entrevista ao site da Vogue UK.

Com sua ampla experiência em negócios e conhecimento diverso em diferentes culturas, Ashkenazi soube traçar seu caminho profissional de maneira inovadora, tornando-se uma empresária altamente conceituada e capaz de fazer renascer das cinzas o império de Madeleine Vionnet.

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Em novembro de 2012, a GoTo Enterprises Sarl (holding de Ashkenazi) adquiriu o controle total da marca. Atualmente, a empresária atua na direção criativa e de negócios da grife, que tem sede em Milão. Seu principal objetivo é renovar a importância da Vionnet, expandir lucrativamente os seus negócios e desenvolver uma rede global de varejo.

Quando perguntada pela Vogue UK se acredita que será capaz de levar a Vionnet para outro patamar, Goga respondeu:

Outras pessoas tentaram, mas eu sempre digo: ou vai acontecer ou eu vou morrer tentando, porque esse é um sonho para a vida toda”.

A empresária também possui uma forte ligação com projetos sociais. Ela possui uma fundação de caridade chamada Erkin, que apoia de maneira contínua mais de 400 casos de crianças deficientes no Cazaquistão, inclusive financiando atos de assistência médica. Goga também está no conselho da Angel Foundation, associação criada por Denise Rich com o objetivo de ajudar pacientes com leucemia, e apoia ativamente o hospital de Portland de Londres.

A cazaquistanesa também é fortemente comprometida com as artes: é a presidente do London Hermitage Council e membro do conselho do Serpentine Gallery Council em Londres. Ela tem a pretensão de fazer um acervo com todas as peças já criadas pela maison. A coleção pessoal de Madeleine Vionnet está guardada no Museu do Louvre.

Foto da fachada do Museu do Louvre

Museu do LouvreAs roupas da Vionnet eram antes vendidas principalmente em países da Europa Ocidental. Com a entrada de Goga, cerca de 40% das vendas acontecem atualmente na Rússia e no Oriente Médio.

O preço médio de um vestido para o dia vai de US$ 800 a US$ 1.200; os de noite vão de US$ 2.000 a US$ 5.000. A grife possui boutiques em Milão, Bucareste, Paris e Nova York. Recentemente também foi lançado um e-commerce da marca.

Período de “liquidação temporária”

Em 2018, a Vionnet anunciou que passará por um processo chamado de “liquidação voluntária”, no qual pretende encerrar suas atividades temporariamente.

O comunicado foi feito pela presidente e diretora de criação Goga Ashkenazi. Ela explica que a marca está comprometida com a sustentabilidade, e por isso há essa necessidade de reestruturação da marca. “Vamos reorganizar completamente a produção, mantendo o QG na Itália, enquanto desenvolvemos relacionamentos com artesãos”, disse Ashkenazi sobre os planos futuros.

https://www.instagram.com/p/Bj5nLV9gVEx/

A previsão é de que isso leve pouco tempo, uma vez que logo em seguida a marca será relançada, e dessa vez com uma pegada 100% sustentável. Em maio de 2018 foi lançada a coleção-cápsula “Sustainable Surf”, feita em colaboração com o artista Marc Quinn. As peças foram pensadas a partir de uma postura eco-friendly.

A partir dessa collab Goga percebeu a necessidade de reestruturar completamente a empresa, “para que nossa revolução tivesse credibilidade”, como ela disse. “Por sermos pessoas que influenciam a decisão dos outros, acho que temos a responsabilidade de nos comprometer com a causa sustentável e causar um impacto positivo no mundo” completou a empresária.

A estimativa é de que a reestruturação total leve no máximo um ano, o que deve manter a Vionnet desligada por duas temporadas. Junto com essa nova postura, a marca também optou por não mais participar do calendário tradicional das semanas de moda, dando preferência a lançamentos alternativos focados no “desenvolvimento de coleções conceituais que transcendem a moda e seus calendários fixos”.

https://www.instagram.com/p/BkR-gJcAtdI/

Sem medo de inovar e assumir uma postura verdadeira e transparente, a Vionnet tem mostrado que de fato voltou à ativa para abalar as estruturas do mundo fashion. O que você tem achado da revolução proposta pela marca? Conta pra gente nos comentários.

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