Vestido McQueen de Naomi Campbell é vendido por US$ 1.3 Mi
Um conjunto criado para a última coleção de Alexander McQueen, guardado por quase quinze anos no closet da modelo Naomi Campbell, acabou de bater um novo recorde em leilão. A peça conta uma história sobre moda, memória e sobre por que peças de arquivo de grandes estilistas se tornaram um dos ativos mais disputados do mercado de luxo seminovo.
No dia 17 de setembro de 2026, o leilão “The Impossible Couture Collection”, conduzido pela casa Fair Warning em Nova York, reuniu 23 peças históricas da moda de luxo a e faturou 3,2 milhões de dólares. O lote mais disputado da tarde não foi um Saint Laurent nem um Alaïa, embora ambos também estivessem na mesa. Foi um conjunto completo de Alexander McQueen, vindo direto do acervo pessoal de Naomi Campbell, que superou de longe sua estimativa inicial.
A peça, batizada de Armadillo pelo formato escultural do sapato que a acompanha, veio do desfile Plato’s Atlantis, primavera e verão de 2010. Era o primeiro look da passarela e a última coleção que Alexander McQueen desenhou sozinho, antes de morrer poucos meses depois. O martelo bateu em 1,3 milhão de dólares, bem acima da faixa estimada, que ia de 600 mil a um milhão de dólares.

Quem foi Alexander McQueen
Lee Alexander McQueen nasceu em Londres, em 1969, filho de um taxista, e aprendeu o ofício de alfaiataria nos ateliês tradicionais da Savile Row antes de se formar na Central Saint Martins. Ele abriu sua própria grife em 1992 e, ainda nos anos 1990, virou um dos nomes mais discutidos da moda britânica, conhecido por desfiles que pareciam performances teatrais e por coleções que misturavam beleza e desconforto, como a polêmica Highland Rape.
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Em 1996 assumiu a direção criativa da Givenchy (do grupo LVMH que detém Dior, Louis Vuitton e outros nomes), cargo que ocupou por cinco anos enquanto seguia desenhando sua própria marca. Em 2001, o grupo Gucci comprou 51% da empresa e o colocou à frente de lojas em Londres, Milão, Nova York e Los Angeles. McQueen recebeu quatro vezes o prêmio de Designer Britânico do Ano e foi condecorado CBE pela realeza britânica. Ele morreu em fevereiro de 2010, aos 40 anos, dias antes da mãe, e a notícia parou a semana de moda de Nova York, onde amigos e modelos próximos, entre eles Naomi Campbell, prestaram homenagens em desfiles beneficentes organizados às pressas.
A marca seguiu sob o comando de Sarah Burton, sua colaboradora de longa data, até 2023, quando Seán McGirr assumiu a direção criativa. Hoje, peças da era McQueen, sobretudo as anteriores a 2010, carregam um peso histórico que poucos arquivos de moda contemporânea conseguem igualar.

O conjunto Armadillo e a coleção Plato’s Atlantis
A coleção primavera e verão de 2010 imaginava um futuro em que a humanidade precisaria voltar ao oceano para sobreviver, uma narrativa sobre evolução e adaptação que McQueen vinha desenvolvendo havia anos. Os sapatos Armadillo, com salto curvo e sem apoio no calcanhar, se tornaram o símbolo visual da coleção e mais tarde ajudaram a definir a estética de Lady Gaga, que os usou em clipes e apresentações.
O conjunto vendido em setembro reúne a peça de seda tecida usada no desfile com o par original de Armadillos, ambos provenientes do acervo pessoal de Naomi Campbell. Segundo relatos do leilão publicados pela Artnet News, o leiloeiro Jussi Pylkkänen comentou, ao bater o martelo, que a peça “vai para o Met um dia”, numa referência ao Metropolitan Museum of Art, que já dedicou uma das maiores retrospectivas de sua história ao trabalho de McQueen.

Por que o “Vestido” McQueen da Naomi alcançou mais de um milhão de dólares
Uma peça de McQueen sem histórico documentado pode valer uma fração do que valeu esse conjunto que lembra um vestido. O que elevou o preço não foi apenas a raridade da confecção, mas a combinação de três fatores dificilmente repetíveis: ser a última coleção completa do estilista, abrir o desfile e ter pertencido a Naomi Campbell, uma das musas mais próximas de McQueen desde o início da carreira dele.
Naomi Campbell e a relação com Alexander McQueen
A ligação entre os dois não é recente nem pontual. Naomi desfilou para McQueen desde os anos 1990, acompanhou a passagem dele pela Givenchy e manteve peças de praticamente todas as fases da carreira do amigo em seu guarda-roupa pessoal, hoje parcialmente exposto no Victoria and Albert Museum, em Londres, dentro da retrospectiva “Naomi: In Fashion”.
Não é a primeira vez que a top model tira uma peça de McQueen do armário para um evento público. Em 2025, ela usou o vestido Union Jack, criado durante a passagem do estilista pela Givenchy no desfile de outono de 2000, no baile de inauguração do British Museum. Em 2024, apareceu em Londres com um vestido da coleção Deliverance, de 2004, marcada pelas saias de camadas e estampas em aquarela. Cada aparição reforça o mesmo ponto: peças de arquivo bem cuidadas continuam ganhando valor cultural, e financeiro, décadas depois de saírem da passarela.

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Comprar peças McQueen Vender uma peçaO que isso significa para quem compra McQueen seminovo
Casos como esse costumam gerar um efeito colateral no mercado de resale: mais gente pesquisando a marca, mais atenção a peças de arquivo e, em alguns casos, valorização de exemplares comparáveis, sobretudo das eras Givenchy e da própria grife sob McQueen, entre 1996 e 2010. Vale separar, no entanto, o que é realmente investimento do que é apenas moda desejável.
Um leilão de casa como Fair Warning ou Sotheby’s lida com peças de arquivo documentadas, muitas vezes ligadas a um desfile específico e a uma proveniência famosa. É um mercado à parte, pequeno e pouco líquido, no qual a maioria dos compradores são colecionadores ou instituições, não consumidoras comuns. Já o mercado seminovo de luxo, onde plataformas como o Etiqueta Única atuam, lida majoritariamente com peças de pronta-entrega das coleções de temporada, bolsas, sapatos, jaquetas e acessórios com o icônico motivo de caveira, que tendem a ter comportamento de preço bem mais discreto do que uma peça de leilão histórico.
Isso não significa que não valha a pena. McQueen segue sendo uma das marcas com maior densidade criativa da moda britânica contemporânea, e peças bem conservadas, sobretudo da era Sarah Burton, costumam manter boa parte do valor de revenda quando comparadas a marcas de volume maior. Mas quem está pensando em comprar seminovo pensando em valorização deveria tratar isso como exceção, não como regra: a maior parte das peças de McQueen no mercado de segunda mão se valoriza pelo desejo por design e artesanato, não pela expectativa de repetir o resultado de um leilão de Nova York.
O que checar antes de comprar uma peça de McQueen seminova
A autenticação é o ponto mais sensível da categoria, porque a marca é alvo frequente de falsificação, especialmente em acessórios com o motivo de caveira e em peças de couro. Vale conferir a qualidade do acabamento interno, a consistência das etiquetas e do número de série, e, sempre que possível, a origem da peça. Plataformas de resale sérias como o Etiqueta Única fazem esse processo de curadoria antes de listar o item, o que reduz bastante o risco em comparação com marketplaces abertos sem controle de autenticidade.
Perguntas frequentes sobre o conjunto e a marca
Quanto custou o vestido de Naomi Campbell no leilão? +
Por que essa peça específica de McQueen é tão valorizada? +
Naomi Campbell e Alexander McQueen eram próximos? +
Dá para encontrar peças de McQueen no mercado seminovo por um valor mais acessível? +
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